Eu te falei, um dia, que uma das coisas que mais me fazia falta em solo americano era que as pessoas não olhavam umas pra outras. Sendo a brasiliana que sou, chega a machucar a falta de olhares atentos quando falo e, principalmente, quando flerto. Você ouviu atentamente, sem me olhar nos olhos.
Naquele sábado, já às 4 da manhã, te abri a porta e assisti teus passos lentos pelo corredor. Eu não pude evitar te dizer o quanto eu gostaria de ter aquela cena registrada pra sempre e quanto essa memória ainda me serviria de muita inspiração. Tuas botas de combate imediatamente te guiaram de volta pra minha porta, e quase senti tua pele de tão perto que deixamos nossos rostos se encontrarem. Teus olhos finalmente encontraram o caminho pros meus, e a intensidade desse encontro me roubou o ar por um segundo.
But there's a moment, there's always a moment. I can do this, I can give into this, or I can resist it. (e você provavelmente odeia Closer, hater.)
Te mandei pra casa, pro sorriso doce da tua namorada alta e loira. Pra cama que ela divide contigo todos os dias e pro chá que ela ama e que você detesta.
E, com muitíssimo arrependimento, acordei sozinha.
Você parece ter decidido resistir também, e não ter mais o conforto da tua companhia me levando pra casa me parte o coração duas vezes por semana. Há duas ou três noites, dividi a cama com um loiro e alto também, e me perguntei se de manhã você também acordou com a sensação de que gostaria de cabelos mais escuros ocupando o travesseiro ao lado.
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