Acho que te amo.
E acho que te amo faz tempo, mas nunca tinha parado pra pensar. E te amo de um jeito que acho que a gente nunca vai se amar igualzinho ao mesmo tempo pra virar história de amor. Mas de um jeito que parece que vai durar... a vida toda. E é bem gostoso te amar assim.
Tô lendo esse livro que acho que você não ia gostar, mas ele chama "tudo o que eu sempre quis dizer mas só consegui escrevendo", e eu sinto que eu queria saber tudo o que você sempre quis dizer mas só consegue escrevendo. Acho que você esconde umas coisas bem bonitas dentro de si. Tem esse trecho que eu gostaria de ler pra ti algum dia, te olhando bem nos olhos pra ver se você entrega sem querer alguma dessas coisas sobre as quais você não consegue falar.
"Eu o via em São Paulo, lá no bar Balcão com o Junio Barreto e não me achava capaz de ser interessante pra ele. Pensava que pra ser amiga dele eu tinha que fazer Zé Celso, frequentar a praça Roosevelt, ler Plínio Marcos, ser um pouco mais gauche e marginal. Ter um pouco mais de sarjeta em mim, um pouco mais de dor."
E olha, a gente é amigo faz um tempão, mas toda vez que a gente encontra eu sinto essa adoração por ti. Acho que te adoro.
(Esse amor nunca foi romântico. Tudo sobre você me fez suspirar porque preencheu um lugar dentro de mim que estava esvaziado há tempos, mas esta carta de amor não foi escrita com expectativas, não foi escrita como uma proposta de ser mais do que já fomos. Me disseram que ser mal compreendida nessa carta seria o maior sinal de que você não me conhecia. É uma pena que você tenha ido embora sem me conhecer. Nunca foi romântico, mas era verdadeiro.)