Tuesday, November 25, 2014
Não há ordem que eu consiga manter com essa desordem me engolindo de dentro pra fora todos os dias.
(espero o dia de me vestir de verão, de desamarrar os cadarços e soltar o cabelo. E ser uma coisa outra que não esse desespero.)
Thursday, August 28, 2014
Sobre estar aqui. sozinha.
"Solitude is an ambiguous state throughout Rousseau's writings. In the Discourse on the Origin and Foundations of Inequality, he portrays human beings in their natural state as isolated swellers in a hospitable forest. But in his more personal work, he often portrays solitude not as an ideal state but as a consolation and refuge for a man who has been betrayed and disappointed. In fact, much of his writing revolves around the question of whether and how one should relate to one's fellow humans. Hypersensitive almost to the point of paranoia and convinced of his own rightness under the most dubious circumstances, Rousseau overreacted to the judgement of others, yet never could or would subdue his unorthodox and often abrasive ideas and acts."
Tuesday, August 19, 2014
Sobre descrença
And your piercing blue eyes.
Decidi, no domingo, abrir um espaço na minha vida pra você. Parecia pouco, quase nada, te dedicar uma tarde tranquila de sol, mas na verdade era abrir um monte de portas pra deixar você entrar. Deitei ao seu lado com a sensação de ter todo o tempo do mundo, e lembrei de como era parar. Lembrei de como era estar por tempo o bastante pra se deixar contaminar pelo pedaço de universo que o outro é. E quase pensei em amor. Eu sabia que você me olhava com dúvida, e me perguntava se você lia minha insegurança também.
Eu não te contei o quão difícil foi decidir te deixar ser parte da minha vida e não te contei de nenhuma das expectativas que criei a partir de cada plano que você fez pra nós dois. I'd love to listen to your records with you, foi tudo que eu disse. Não te contei sobre o esforço que foi não me deixar te escapar e não tive um minuto pra contar o quanto você me deu fôlego pra passar por essa transição que anda me corroendo por dentro.
Me partiu o coração ouvir você falando bullshit pra me ver ir embora. Eu achava que tinha todo o tempo do mundo – mas eu mal tive tempo.
(Cada vez tranco mais portas por dentro)
Tuesday, May 20, 2014
Como você ainda dói
Mesmo estando no hemisfério sul, me preencho do verão pelo qual eu esperei e desejei tanto. Me preencho do amor e do calor que me fizeram tanta falta no último ano, e busco dentro de mim a sanidade, cuja ausência me fez cair tantas vezes. E aos poucos espero juntar os pedacinhos de mim que se espalharam por todos os lados depois que você se foi, e quanto mais tempo eu dedico a me colar inteira, mais eu percebo o quanto você ainda dói. Eu achava que o fato de eu não fazer parte do seu universo era o lado mais belo do que tínhamos, e agora só me resta achar que faz sentido que dividamos a cidade e que essa seja a única coisa que realmente compartilhamos.
Não resta nada de mim em você, já passa da hora de não restar nada de você em mim também.
Não resta nada de mim em você, já passa da hora de não restar nada de você em mim também.
Tuesday, April 29, 2014
As tuas costas
Você se espalha pelo meu apartamento. Sua voz ecoa por todos os quartos, seu cabelo cortado escurece meu chão, até a sua toalha senta ao lado da minha, como se esse fosse seu lugar natural, e fosse a minha que não pertencesse. Enquanto você entra e sai pela mesma porta de onde eu assistia você ir embora, eu caminho em círculos pelo cubículo do meu quarto. Não consigo descansar enquanto dividimos o mesmo teto. Enquanto dividimos o mesmo teto e eu não posso te olhar nos olhos, te falar sobre tudo em três línguas diferentes, descansar minha cabeça no teu ombro como se não houvesse mais nada. Meus pés descalços no carpete escuro me lembram que o apartamento que ocupo é onde eu chamo de casa, mas nem isso me impede de me sentir deslocada quando seu riso idiota me toca. Eu nunca uso a palavra idiota e abro uma exceção pra descrever o que nós nos tornamos.
O fim faz todo o sentido. em todos os lugares. exceto dentro de mim.
(abandono me corrói desde o dia 1)
O fim faz todo o sentido. em todos os lugares. exceto dentro de mim.
(abandono me corrói desde o dia 1)
Monday, March 24, 2014
O segundo antes
Nem me dei conta de que anos se passaram, de que depois de tanto, não há sentido algum em esperar que algo no universo nos traga mais perto. O universo fez tudo o que pôde, fomos nós que desfizemos. Desfizemos os dias na praia, deitado no teu peito, ouvindo teu coração bater quieto. Desfizemos a doçura das manhãs que dividíamos, depois da cama bagunçada. Os dias de sol, os olhares trocados, os cheiros de mar, de suor e da sua pele. Desfizemos o caminho que nos guiava pro mesmo lugar, e agora atravesso todo o inesperado desarmada. Tô calejada de repetir a nossa história. Ando desencontrada quando ando pelos mesmo lugares que um dia você me mostrou, segurando a minha mão.
Wednesday, March 12, 2014
Tudo na minha pele vira cicatriz II
Naquele dia, eu não esperava que você ligasse. Eu lia Doze Contos Peregrinos no parque que eu aprendi a amar depois que você me buscou pela mão no momento em que eu mais me senti desconectada do mundo. Naquele dia, eu respirava o ar de certeza de que não havia mais nada além do livro que me repetia que não estar em casa é milhares de coisas além de não estar. Mas você ligou, e ao invés de me dizer palavras que aliviariam a solidão de estar no parque com Gabo, você disse as palavras que em outra vida eu ouvi, num idioma diferente: (eu não vou te ver) por enquanto. E enquanto todas as incertezas me preenchiam, naquele dia você disse que era fiel às suas whiskey words. E eu mal sei o que elas significaram pra você, mas na minha pele elas se tornaram uma pilha de mentiras gostosas de invocar. Tua música, que sempre me tira o fôlego por alguns segundos, faz questão de repetir essas palavras pra todas as pessoas que quiserem ouvir e eu acredito que elas era sinceras naquele dia, mas sinto muito que elas não eram pra mim. Na porta do meu quarto, você me olhou nos olhos e me pediu perdão, me falou de razão e de existência e me abraçou como uma tempestade. Naquele dia eu tive certeza do que nunca iria passar, do que seria sempre cicatriz.
(Tudo na minha pele vira cicatriz: http://oshaodeser.blogspot.com/2010/01/tudo-na-minha-pele-vira-cicatriz.html)
(Tudo na minha pele vira cicatriz: http://oshaodeser.blogspot.com/2010/01/tudo-na-minha-pele-vira-cicatriz.html)
Tuesday, February 18, 2014
O que poderíamos ter sido.
Acordaríamos de manhã na sua cama, e eu faria café. Um tantinho de café brasileiro que eu te dei de presente quando as noites na sua cama se tornaram frequentes. Teu irmão acordaria com a namorada e ligaria a tv e vocês conversariam sobre esportes, política e o trabalho. Enquanto você tomasse um banho, eu leria o jornal, me demorando em um roupão e conversaria futilidades com a namorada dele, falaríamos sobre unhas ou sobre aulas. Depois eu assistiria você vestir o seu terno de inverno preferido enquanto colocasse as minhas meias, as minhas botas, e acharia engraçado seu cuidado com seu cabelo e sua escova de dentes elétrica. Caminharíamos juntos até o trem, nos separaríamos em Jackson com um beijo discreto. Eu voltaria pra casa pra um banho depois que trocássemos desejos de bom dia.
Desenho essas imagens só pra lembrar o quão fácil a vida já foi quando dividíamos algo. Quando eu e você fazíamos sentido. Mal sei o que acontece contigo agora, onde é que você se perde na cidade, o quanto você malha, quantas camadas você usa em um dia frio, o quanto tempo você passa pensando em trabalho, esporte.
O quanto tempo você passa pensando em mim.
Wednesday, February 12, 2014
Sometimes
Acordei hoje com o gosto da sua ausência e ouvi tua voz no vídeo que gravei naquela noite que estava fadada a ser a última em que compartilharíamos uma garrafa de vinho. Você cantava que never learned how to give a fuck, e eu pensava que você era a minha pessoa preferida nesse lugar. Eu nunca quis te culpar pelas coisas que eu sentia, nunca quis te fazer o carrasco da minha estada no norte. Pelo contrário, você me fez ter vontade de ficar mais um pouquinho pra assistir o que ia acontecer com o mundo inteiro que se passava em mim, em você e em nós dois.
Se eu soubesse que hoje eu acordaria atrasada pensando em todas as coisas que ela é e que eu nunca vou ser, talvez eu não tivesse me prolongado na cidade do vento.
(sometimes it hurts instead)
Se eu soubesse que hoje eu acordaria atrasada pensando em todas as coisas que ela é e que eu nunca vou ser, talvez eu não tivesse me prolongado na cidade do vento.
(sometimes it hurts instead)
Sunday, February 9, 2014
There's always a moment (e minha frustração com amor)
Talvez seja minha a culpa. Minha inquietude te fez procurar por outros lados aonde se deixar descansar. Fui eu que fui embora e te deixei pra escolher com quem estar, e sua decisão naturalmente te levou ao mais familiar. Seus trejeitos se parecem, seus gostos também, e assisto à distância o quanto vocês se demoram na cama. Provavelmente discutem Piles como eu discutiria Caetano.
Talvez a culpa seja minha. Por falar sobre a frieza, e não a admiração que eu guardo por ti. Por não me maquiar, não me organizar, não me tornar pontual ou qualquer pouquinho mais americana pra que a estranheza do teu olhar fosse um pouquinho menor.
Ao contrário, me vesti o tempo todo de latina, agarrada na origem da minha identidade. Me mergulhei em saudade, quando o inglês mal pode entender a razão dela existir. Tentei ao máximo compensar o que eu deixei no lado de lá da fronteira. E agora entendo que se é o familiar que vocês procuram, eu realmente nunca vou pertencer.
Talvez a culpa seja minha. Por falar sobre a frieza, e não a admiração que eu guardo por ti. Por não me maquiar, não me organizar, não me tornar pontual ou qualquer pouquinho mais americana pra que a estranheza do teu olhar fosse um pouquinho menor.
Ao contrário, me vesti o tempo todo de latina, agarrada na origem da minha identidade. Me mergulhei em saudade, quando o inglês mal pode entender a razão dela existir. Tentei ao máximo compensar o que eu deixei no lado de lá da fronteira. E agora entendo que se é o familiar que vocês procuram, eu realmente nunca vou pertencer.
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