Friday, December 15, 2017

I was in San Sebastian.

E esqueci de te contar.

A gente planejou essa viagem juntos. Olhamos horários dos ônibus, dos trens. Minha professora de espanhol me criticou uma vez, "san /sebástian/ é um jeito muito americano de se dizer, o nome é san /sebastián/", mas a verdade é que pra mim aquele lugar só existia com seu sotaque americano e seu brilho no olhos de quem quer aprender a surfar em praias bascas. Não fomos. Mas naquele verão anos depois, em que eu e você estávamos de novo em solo espanhol (mas separados), eu fui pra San Sebástian pra ver se te encontrava.Você não ia pra lá mas mesmo assim fui te procurar pelas praias sobre as quais a gente já conversou, fui te procurar nas ondas que você nunca surfou e nos cardápios de tapas que a gente nunca vai explorar juntos. Assisti a danças de rua, me sentei sozinha na praia e pensei no quanto eu sentia sua falta. Ai, como eu sentia sua falta. Pensei que a gente morava na mesma cidade, que a gente tava de férias no mesmo país e que mesmo assim você não estava ali.

No comecinho de 2016 você me fez um drink, ele tinha um nome pra mim, um gostinho de Brasil, e você nunca me contou. Quando a gente se encontrou e você chorou do arrependimento de não ter me permitido entrar na sua vida, eu chorava da raiva de ter sido privada de uma vida inteira do seu lado. A gente podia ter sido um monte de coisa, G. As pessoas não entendem, mas eu acho sim que eu fui o amor da tua vida tanto quanto você foi da minha, sabe. E não é mais sempre não, mas de vez em quando eu leio algo, ou assisto algo e me lembro de você. E continuo escrevendo essas cartas, mas já não vejo razão de mandá-las.