Thursday, December 8, 2016

sex & emotional attachment

Passei as últimas horas procurando a explicação racional pra de repente ter um desejo incontrolável de te incluir na minha vida. Durante todas as suas outras passagens pela minha cama, me satisfez virar pro lado oposto e esquecer que a gente a dividia. Mas ontem. Eu fecho os olhos e lembro da exata sensação de deitar no teu peito e sentir o calor da sua pele em repouso. Milan Kundera bem me avisou dos perigos de dividir o sono com alguém:


"Love does not make itself felt in the desire for copulation (a desire that extends to an infinite number of women) but in the desire for shared sleep (a desire limited to one woman).”

Sunday, October 16, 2016

I'm a mess he don't wanna clean up

Contando mentalmente a quantidade de pessoas que passam na minha vida e que são just like you. Me chamam na segunda, me encontram na quinta e desaparecem no domingo e na terça tenho aquele outro compromisso. Me desfaço um tantinho de mim quando me desfaço de você(s) e enquanto termino essa garrafa de vinho, me sou obrigada a lembrar de quanto inconstância é parte do meu ser.
Perdi a conta.
Alguém sempre vem me ver on valentine's (but he's gone by Monday too).

"grata por ter sido escolhida dentre tantas outras"

Havia um equilíbrio silencioso no que a gente tinha. Você conhecia o meu corpo desde que nem eu mesma o conhecia e você era oh so proud of that. Lembro de estar no seu carro ouvindo a minha música e de te provocar enquanto você dirigia. E lembro de você dirigir todos aqueles quilômetros entre park way a lago sul e falar sobre settling down mesmo que settling down comigo nunca realmente tenha sido plano seu ou meu. E tava tudo bem. A nossa intimidade era calma e bem humorada.
E às 3 eu tava sempre confortável na minha cama, certa de que a gente não precisava compartilhar sono nenhum. A gente sempre foi o bastante do jeito que fomos.
Voltei pra Brasília uma vez e você me beijou na rua como se tivesse me encontrado terça. Me disse pra ficar enquanto me segurava pela mão e teu amigo assistia ao relacionamento mais estável em que já estivemos, um em que não nos víamos há ano e que ainda assim fazia sentido. Eu desconversei e fui embora e hoje vi que sua namorada fala que é grata por ter sido escolhida dentre tantas outras. E isso me fez rir.
E por aqui continuo encontrando intimidades calmas e bem humoradas. Mas nenhuma quite like ours.

Sunday, April 10, 2016

Maybe ( ) is always in the wrong timezone

Aos dezesseis eu namorei um artista e foi tudo uma aventura, de verdade. Porque eu, uma ex-colégio militar, prezava por um infinito de coisas que não incluíam Stanislavski, e me fascinava a idéia de que pessoas como ele viviam num mundo em que hipérbole não era uma fórmula matemática. A magia de transitar entre esse mundo boêmio e o meu próprio, muito mais quadradinho, durou quase três anos e eu amava estar à margem de ambos, me moldando apenas com o que me era verdadeiro. Ontem eu ouvi você argumentar sobre política e futuro – o individual, o coletivo – do jeito um tanto pretensioso (and yet charmoso) que a sua educação superior americana te permite ser. E a ironia de atualmente viver num mundo em que hipérbole é exclusivamente uma figura de linguagem se tornou insuportável por um segundo, enquanto eu assistia você deitado na minha cama falando de um infinito de coisas que não incluem Corbusier.

Isso também poderia ter sido uma aventura.

Monday, February 15, 2016

shared loneliness

Há tanto dentro de mim que eu quero compartilhar. Mas que eu quero livre.
Enquanto você sentava do outro lado da mesa me contando essa verdade que a gente pareceu repetir por horas e horas ao longo desse fim de semana, eu pensava no quanto eu queria tocar a sua pele tatuada, a sua barba loira. Meu desejo transbordava enquanto eu encarava seus olhos muito azuis que se distraíam com as margens da nossa mesa, fugindo do desconforto do momento que a gente compartilhava. Você me mostrava tua tatuagem de noivado e me contava dos seu amigos já pais, resignados a uma vida de todos os arrependimentos que você não gostaria de ter, e eu pensava na solidão que era você deixar mulheres pra trás em busca da liberdade que teus amigos não tem. Na ironia que é ser tão feliz, mas tão sozinho. A sua pele tatuada poderia ser qualquer uma – eu concluí nua, deitada na sua cama de hotel e sentindo saudades de outra pele ainda. Quando eu fechava os olhos, eu quase conseguia sentir o cheiro do amor que eu tinha por aquele outro norte americano, e eu pensava se você também tava pensando que eu era uma versão de outra pessoa que você já amou muito. Se meus cabelos longos e escuros também te lembravam de uma vida que não existe mais que em memória. Enquanto você se perguntava se estava satisfeito com a sua vida aos 33, eu me perguntava se eu vou estar satisfeita com a vida aos 33 que eu projeto, uma em que eu possivelmente também me espalharia por um número desnecessariamente grande de quartos de hotéis. E assim nos deixamos passar -contáveis- horas: respirando das mesmas inquietações, mas em fragmentos de mundos que nunca realmente se entrelaçaram. Talvez exceto por uma breve noite em Buenos Aires cinco anos atrás. Seguimos sozinhos, separados por não só uma fronteira geográfica que provavelmente nunca mais vai ser cruzada com o intuito singular de refazer esse encontro, mas por uma lealdade muito grande a esse nosso caminho que fica cada vez mais privado...