Aos dezesseis eu namorei um artista e foi tudo uma aventura, de verdade. Porque eu, uma ex-colégio militar, prezava por um infinito de coisas que não incluíam Stanislavski, e me fascinava a idéia de que pessoas como ele viviam num mundo em que hipérbole não era uma fórmula matemática. A magia de transitar entre esse mundo boêmio e o meu próprio, muito mais quadradinho, durou quase três anos e eu amava estar à margem de ambos, me moldando apenas com o que me era verdadeiro. Ontem eu ouvi você argumentar sobre política e futuro – o individual, o coletivo – do jeito um tanto pretensioso (and yet charmoso) que a sua educação superior americana te permite ser. E a ironia de atualmente viver num mundo em que hipérbole é exclusivamente uma figura de linguagem se tornou insuportável por um segundo, enquanto eu assistia você deitado na minha cama falando de um infinito de coisas que não incluem Corbusier.
Isso também poderia ter sido uma aventura.