Tuesday, February 18, 2014

O que poderíamos ter sido.

Acordaríamos de manhã na sua cama, e eu faria café. Um tantinho de café brasileiro que eu te dei de presente quando as noites na sua cama se tornaram frequentes. Teu irmão acordaria com a namorada e ligaria a tv e vocês conversariam sobre esportes, política e o trabalho. Enquanto você tomasse um banho, eu leria o jornal, me demorando em um roupão e conversaria futilidades com a namorada dele, falaríamos sobre unhas ou sobre aulas. Depois eu assistiria você vestir o seu terno de inverno preferido enquanto colocasse as minhas meias, as minhas botas, e acharia engraçado seu cuidado com seu cabelo e sua escova de dentes elétrica. Caminharíamos juntos até o trem, nos separaríamos em Jackson com um beijo discreto. Eu voltaria pra casa pra um banho depois que trocássemos desejos de bom dia. 
Desenho essas imagens só pra lembrar o quão fácil a vida já foi quando dividíamos algo. Quando eu e você fazíamos sentido. Mal sei o que acontece contigo agora, onde é que você se perde na cidade, o quanto você malha, quantas camadas você usa em um dia frio, o quanto tempo você passa pensando em trabalho, esporte.
O quanto tempo você passa pensando em mim.

Wednesday, February 12, 2014

Sometimes

Acordei hoje com o gosto da sua ausência e ouvi tua voz no vídeo que gravei naquela noite que estava fadada a ser a última em que compartilharíamos uma garrafa de vinho. Você cantava que never learned how to give a fuck, e eu pensava que você era a minha pessoa preferida nesse lugar. Eu nunca quis te culpar pelas coisas que eu sentia, nunca quis te fazer o carrasco da minha estada no norte. Pelo contrário, você me fez ter vontade de ficar mais um pouquinho pra assistir o que ia acontecer com o mundo inteiro que se passava em mim, em você e em nós dois.
Se eu soubesse que hoje eu acordaria atrasada pensando em todas as coisas que ela é e que eu nunca vou ser, talvez eu não tivesse me prolongado na cidade do vento.
(sometimes it hurts instead)

Sunday, February 9, 2014

There's always a moment (e minha frustração com amor)

Talvez seja minha a culpa. Minha inquietude te fez procurar por outros lados aonde se deixar descansar. Fui eu que fui embora e te deixei pra escolher com quem estar, e sua decisão naturalmente te levou ao mais familiar. Seus trejeitos se parecem, seus gostos também, e assisto à distância o quanto vocês se demoram na cama. Provavelmente discutem Piles como eu discutiria Caetano.
Talvez a culpa seja minha. Por falar sobre a frieza, e não a admiração que eu guardo por ti. Por não me maquiar, não me organizar, não me tornar pontual ou qualquer pouquinho mais americana pra que a estranheza do teu olhar fosse um pouquinho menor.
Ao contrário, me vesti o tempo todo de latina, agarrada na origem da minha identidade. Me mergulhei em saudade, quando o inglês mal pode entender a razão dela existir. Tentei ao máximo compensar o que eu deixei no lado de lá da fronteira. E agora entendo que se é o familiar que vocês procuram, eu realmente nunca vou pertencer.