Acordaríamos de manhã na sua cama, e eu faria café. Um tantinho de café brasileiro que eu te dei de presente quando as noites na sua cama se tornaram frequentes. Teu irmão acordaria com a namorada e ligaria a tv e vocês conversariam sobre esportes, política e o trabalho. Enquanto você tomasse um banho, eu leria o jornal, me demorando em um roupão e conversaria futilidades com a namorada dele, falaríamos sobre unhas ou sobre aulas. Depois eu assistiria você vestir o seu terno de inverno preferido enquanto colocasse as minhas meias, as minhas botas, e acharia engraçado seu cuidado com seu cabelo e sua escova de dentes elétrica. Caminharíamos juntos até o trem, nos separaríamos em Jackson com um beijo discreto. Eu voltaria pra casa pra um banho depois que trocássemos desejos de bom dia.
Desenho essas imagens só pra lembrar o quão fácil a vida já foi quando dividíamos algo. Quando eu e você fazíamos sentido. Mal sei o que acontece contigo agora, onde é que você se perde na cidade, o quanto você malha, quantas camadas você usa em um dia frio, o quanto tempo você passa pensando em trabalho, esporte.
O quanto tempo você passa pensando em mim.