Naquele dia, eu não esperava que você ligasse. Eu lia Doze Contos Peregrinos no parque que eu aprendi a amar depois que você me buscou pela mão no momento em que eu mais me senti desconectada do mundo. Naquele dia, eu respirava o ar de certeza de que não havia mais nada além do livro que me repetia que não estar em casa é milhares de coisas além de não estar. Mas você ligou, e ao invés de me dizer palavras que aliviariam a solidão de estar no parque com Gabo, você disse as palavras que em outra vida eu ouvi, num idioma diferente: (eu não vou te ver) por enquanto. E enquanto todas as incertezas me preenchiam, naquele dia você disse que era fiel às suas whiskey words. E eu mal sei o que elas significaram pra você, mas na minha pele elas se tornaram uma pilha de mentiras gostosas de invocar. Tua música, que sempre me tira o fôlego por alguns segundos, faz questão de repetir essas palavras pra todas as pessoas que quiserem ouvir e eu acredito que elas era sinceras naquele dia, mas sinto muito que elas não eram pra mim. Na porta do meu quarto, você me olhou nos olhos e me pediu perdão, me falou de razão e de existência e me abraçou como uma tempestade. Naquele dia eu tive certeza do que nunca iria passar, do que seria sempre cicatriz.
(Tudo na minha pele vira cicatriz: http://oshaodeser.blogspot.com/2010/01/tudo-na-minha-pele-vira-cicatriz.html)
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